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UMA ANÁLISE: O DECLÍNIO DO HOMEM PUBLICO E AS TIRANIAS DA INTIMIDADE por, Valéria Alferes.

  • Foto do escritor: valeria alferes
    valeria alferes
  • 5 de jan.
  • 10 min de leitura

Atualizado: 12 de jan.

CAPÍTULO 1

 

O DOMÍNIO PÚBLICO

 

 

O aumento do contato intimo, diminui a sociabilidade

 

Foi a geração nascida após a segunda guerra mundial que se voltou para dentro de si ao se libertar das repressões sexuais. É nessa mesma geração que se operou a maior parte da destruição física do domínio publico. A tese deste livro é a de que esses sinais gritantes de uma vida pessoal desmedida, e de uma vida publica esvaziada ficaram por muito tempo incubados, são resultantes de uma mudança que começou com a queda do antigo regime e com a formação de uma nova cultura urbana, secular e capitalista.

 

Publico x Privado

 

PUBLICO         

Significava aberto a observação de qualquer pessoa, enquanto o privado era matizado de modo mais semelhante ao seu atual,

 

PRIVADO          

Significava uma região privada da vida, definida pela família e pelos amigos.

 

O centro dessa vida publica era o Capital.

 

Arquitetos que projetam arranha-céus e outros edifícios de grande porte e densidade se veem forçados a trabalhar com ideias a respeito da vida publica, no seu estado atual, e de fato se incluem entre os poucos profissionais que por necessidade expressam e tornam esses códigos manifestos para outrem.

 

Lever House de Gordon Bunshaft – Park Avenue – Nova York

O nível da rua é um espaço morto.  Não há diversidade de atividades no andar térreo: é apenas uma passagem ao interior.

 

 Á um conflito - Escola Internacional – Visibilidade nas Construções de Grandes Edifícios.

 

Paredes quase inteiras de vidros, emoldurados por estreitos suportes de aço, fazem com que o interior e exterior de um edifício se dissolvam, até o menor ponto de diferenciação.

 

 

 

ÁREA PUBLICA MORTA

                                                                1. Brunswick

                                                                2. Dinfese – Oeste de Paris

 

 

Brunswick Center

Nem tomam conhecimento de uma das mais belas praças de Londres. O edifício este localizado como se pudesse estar em qualquer parte; O que leva a dizer que os projetistas não tinham a sensação de estarem em nenhum local especifico, muitos menos em um meio urbano extraordinário.


A ansiedade provem do fato de que consideramos a movimentação sem restrições do individuo como direito absoluto, uma vez que se torna função da movimentação, o espaço publico perde todo sentido, próprio independente para  =  experimentação.


ISOLAMENTO   


1.Qualquer habitante/trabalhador de uma estrutura urbana de alta densidade são inibidos de sentir qualquer relacionamento com o meio no qual está inserido.

 

2.Assim como alguém pode se isolar em um automóvel particular para ter liberdade de movimento, também deixa de acreditar que o que circunda tenha qualquer significado além de ser um meio para chegar á finalidade da própria locomoção.

 

3.Existe ainda um terceiro sentido, um sentido um tanto mais brutal de isolamento social em locais públicos, um isolamento produzido diretamente pela nossa visibilidade para os outros.

 

CAPITULO 11

O FIM DA CULTURA PUBLICA

 

O passado, é relembrado por imagens que por sua vez, causam um sentimento perigoso; saudosismo. Criar uma perspectiva a respeito das crenças, das aspirações e dos mitos da vida moderna que parecem ser humanos, mas que de fato são perigosos.

A história do surgimento e do declínio da cultura pública faz com que, no mínimo, esse espírito humanitário seja posto em questão.  Chegar a um sentimento de aproximação com os outros ocorre, frequentemente, após os havermos testado; o relacionamento e ao mesmo tempo próximo (close) e fechado (closed}.


O desenvolvimento da personalidade hoje em dia é o desenvolvimento da personalidade de um refugiado. Como resultado do imenso temor diante da vida pública que atacou o século passado, resulta hoje um senso enfraquecido de vontade humana.

A mitologia construída em torno da impessoalidade enquanto um mal social. É autodestrutivo. A procura pelos interesses comuns é destruída pela busca de uma identidade comum.


Mitologia segundo a qual homens são mais importantes do que medidas. (para utilizarmos a expressão de Junius) revela-se realmente como uma receita para a pacificação política. Ora, quanto mais as pessoas conceberem o domínio político como a oportunidade para se revelarem umas às outras, compartilhando de uma personalidade comum, coletiva. tanto mais serão desviadas do uso de sua fraternidade para transformarem as condições sociais.

Quando a vida pública acabou, esses ideais supostamente humanos começaram a dominar. Século XIX estava ligada ao Iluminismo. na crença a ausência na ''publicidade'' (publieness) está ligada na confusão no século XIX.

Gradualmente, a plateia perdeu a fé em si mesma para poder julgá-los; tornou-se espectadora, mais do que testemunha. A plateia perdera, assim. um sentido de si mesma como força ativa: como "público".


A revolução de 1848 fora a primeira aparição do domínio de uma cultura da personalidade sobre esses interesses do ego grupal, então expressos como interesses de uma classe.  É um eu composto de intenções e de possibilidades. As relações sociais podem ser relações estéticas porque cor partilham de uma raiz comum.


O jogo não é arte, mas um certo tipo de preparação para um certo tipo de atividade estética, uma atividade que se realiza na sociedade, caso certas condições estejam presentes. Quando as crianças aprenderem a acreditar em convenções, então estão prontas a realizar uma obra qualitativa de expressão, explorando, transformando e refinando a qualidade dessas convenções.


Quando a crença no domínio público chegou ao fim, a erosão de um senso de auto distanciamento - e com ela a dificuldade de representar na vida adulta - avançou um passo a mais. 

 

Os problemas dos ideólogos da classe média nos movimentos das classes trabalhadoras no final do século XIX derivaram da dificuldade em não se ter auto distanciamento; tais radicais de classe média estavam inclinados a serem rígidos em suas posições, para que, por meio de transformações em suas ideias, não pudessem transformar ou deslegitimar-se a si próprios. Não podiam representar.


Na medida em que as pessoas sintam que a sua classe social é um produto de suas qualidades e habilidades pessoais.  As "capacitações" de alguém determinam a sua situação; e participar desses fatos, é algo penoso. Pois, é muito próximo á natureza intima do eu.


Um estado fascista, é uma forma de tirania intimista. Outra ocasião; trabalhar, alimentar filhos, regar a grama dentro outros. É apropriada para descrever as provações peculiares ama cultura onde não há vida pública.


CAPITULO 12

 O CARISMA SE TORNA INCIVILIZADO

 

A civilidade existe quando uma pessoa não se torna um fardo para as outras. '' carisma '' significado religioso (cristão). Podemos pensar no Padre, que precisa necessariamente estar sempre bem? Não pode fazer contato com Deus, quando não estiver se sentido bem? Quando o carisma perdeu seu sentido religioso, deixou de ser uma força civilizadora. 


O líder carismático desse modo, consegue controlar a sua plateia, mais plenamente e de modo mais mistificador do que a antiga e civilizadora mágica da Igreja. Um exemplo de personalidades carismáticas seculares; 1930 com a política esquerdista e fascista.

Max Weber de 1899 até 1919, primeiro sociólogo a estudar o termo '' carisma ''. Sua obra Economia e Sociedade. Freud, não faz menção ao termo '' carisma '' e nenhuma referência á obra de Weber. O temo de ambos são iguais: como pode uma pessoa, pela força da personalidade, ao invés de pelo direito adquirido ou pela promoção dentro de uma burocracia, ganhar poder e parecer ser um legislador legítimo? Outro fator em comum, é que não acreditavam em Deus. Isto significa que nenhum deles deixaria as crenças transcendentais de uma sociedade sem questionamento ambos tentavam traduzir essas crenças em necessidades seculares que fariam com que os homens acreditassem.


O carisma moderno é ordem. ordem pacífica e, como tal, ele cria crises.  Uma pessoa pode sentir diretamente os sentimentos de um político, mas não pode sentir diretamente as futuras consequências de sua política. Na experiência comum, são uma forma de irracionalidade, uma vez que a própria racionalidade é medida pela verdade empírica daquilo que se pode ver e sentir. 


Um político, trata uma certa classe de pessoas. Origens humildes, faz a sua carreira incitando o público com ataques contra o sistema, Poder Estabelecido, contra a Velha Ordem. Não tem um comprometimento com uma nova ordem, mas sim ressentimento contra a ordem existente. Ou seja, uma política de status. A burguesia ocupa seu pequeno lugar na sociedade, pois podem ''humilhar'' esses de classe mais humilde. O senador McCarthy atacou os baluartes do sistema americano por terem protegido os anarco-comunistas.


O antissemitismo da França de após a Segunda Guerra Mundial é um caso quase puro dessa conspiração entre o alto e o baixo para destruir a pequena burguesia sitiada. Nixou é representativo de Poujade, de Perón, de outros americanos como Wallace, no imaginário do poder que é utilizado para disfarçar os fatos do poder pessoal. Lutas pelo poder se tornam guerras de desprezo. O político conservador do século XIX que podia ''falar com sentido para os trabalhadores" era um homem que fazia com que sua plateia se sentisse por um momento ser levada pela vaga dos códigos de acordo com a classe média; mostre a essa plateia da classe trabalhadora o quão finos são os seus sentimentos, e ela se tornará respeitosa.


A forma de comunicação eletrônica do século XIX. Esses termos não mais se limitassem a reuniões urbanas, mas predominassem nos negócios nacionais e internacionais. Os meios de comunicação aumentaram amplamente o estoque de conhecimentos que os grupos sociais tinham uns dos outros. mas tornaram o contato efetivo desnecessário.

De uma maneira perversa, trata-se da procura por um herói acreditável, dados os termos modernos da personalidade.


Em A Century of Hero Worship, (Um Século de Adoração de Heróis), Eric Bentley analisou a necessidade de se ter heróis acreditáveis, surgida na metade do século XIX, e concluiu que uma das marcas da sociedade moderna estava em que, nela, a descoberta de heróis havia se tornado uma preocupação constante e constantemente frustrada.


Em 1940, tivemos o rock, que supostamente significava um desafio a burguesa, o sistema do estrelato se tornou uma lei férrea das recompensas. Estima-se que haja oitocentos pianistas clássicos em Nova York tentando fazer carreira completa de concertistas. Ou seja, precisa apelar essa aparição em concertos. No entanto as chances são escassas.


O número de salas de concerto em Nova York vem decrescendo constantemente desde 1920; o número de jornais vem decrescendo constantemente desde 1950, e o espaço destinado à crítica musical de novos artistas torna-se cada vez menor.


De todas as capitais europeias, será em Paris que terá maior dificuldade em encontrar uma boa sala onde tocar, mesmo às suas próprias custas, em reconhecer uma crítica e, o mais importante: em atrair uma plateia.


Mais uma vez. a experiência do pianista é um guia instrutivo para a experiência de outros intérpretes trabalhando individualmente.  Quando. no final do século XVIII, o pianista perdeu o seu patrão, ou o pequeno grupo de patrões foi forçado a se tornar uma espécie de empresário para abrir seu caminho pelas capitais musicais.


Entre 1830 e 1870. o tamanho da lotação dos recitais de piano em Viena aumentou em 35%, muitas vezes superlotando salas, enquanto o número de concertos de piano caiu vertiginosamente. A própria essência do novo código de apresentação estava na intensificação da desigualdade.


O estado de coisas que começou no século passado diminuiu o desejo de se ouvir música em apresentações. pelo simples prazer de se ouvir música; a extraordinária qualidade do intérprete tornou-se um pré-requisito para que se fosse ouvir música.

Em nosso século, esta ideia amadureceu como se segue: não há fenômeno musical, a menos que a interpretação seja fenomenal. Uma vez que a economia de lucro na indústria fonográfica é ainda mais cerrada do que para a música ao vivo, somente pouquíssimos artistas que têm sido bons ou têm tido sorte o suficiente para estabelecerem reputações de concertistas é que poderão promover gravações.


Até onde se possa fazer um paralelo com a política, o sistema político funcionará sob três princípios. Em primeiro lugar; o poder político '' por detrás dos panos''. O patrocinador político (corporação, indivíduo, grupos de interesse) colhe os mesmos benefícios que um empresário moderno de sucesso.


Quando o sistema político funciona como o sistema do estrelato, o seu segundo atributo está em que o máximo de poder é obtido ao se limitar a exibição pública dos próprios candidatos: isto é, quanto menos aparecerem para um grande público, mais serão atrativos.


Quando esses sistemas estão paralelos, a partir dos anos 1840, atingiu um ponto de realização perverso.  A clinica da etologia de Mill, a essência da cultura do século XIX estende uma mão morta sobre a vida política do século XX. e mais poderosa pelo simples fato de que a maioria das regras segundo as quais um político é tido como fiável ou como atraente esta escondida em relação à consciência daqueles que caem sob sua influência.

Carismo é um ato de debilitação - o '' dom da Graça''. Na vida política, não são titãs e nem demônios, reis antigos de Weber, nem pai como em Freud. É homenzinho, estrela; caprichosamente embalado, sub-exposto e tão franco a respeito do que sente, ele governa um domínio em que nada se transforma muito, até que se torne uma crise insolúvel.

 

CONCLUSÃO

 

AS TIRANIAS DA INTIMIDADE.

 

Todo um catalogo da rotina doméstica que logo produz uma imagem da tirania da intimidade; é claustrofobia. A expressão tirania intimista pode também ser aplicada a uma espécie de catástrofe politica, o estado policial em que todas as atividades todos os amigos e todas as crenças de uma pessoa passam através de uma rede de vigilância governamental. Essa opressão intimista envolve o medo constante de que a pessoa possa trair opiniões indiscretos na escola; que elas possam cometer crimes contra o estado, que o próprio estado trama.

 

À intimidade é uma tirania, na vida diária, dessa ultima espécie.

Não é a criação forçada, mas o aparecimento de uma crença num padrão de verdade para se medir as complexidades da realidade social.

 

À intimidade é um terreno de visão e uma expectativa de relações humanas. È a localização da experiência humana, de tal modo que aquilo que está próximo ás circunstâncias imediatas da vida se torna dominante.

 

A natureza do homem é interiormente tão doente ou tão destrutiva que, quando as pessoas se relevam uma as outras, aquilo que mostram são todos os pequenos horrores privados que em formas menos intensas de experiências são escondidos cuidadosamente. Creio que a frustações que o contato intimo provoca na sociabilidade é, antes, o resultado de um logo processo histórico, um processo histórico, um processo em que os próprios termos da natureza humana foram transformados num fenômeno individual, instável e auto-absorvido, que chamamos PERSONALIDAE.    

 

Os homens passaram a crer que eram os autores de seu próprio caráter, que cada acontecimento de suas vidas precisava ter uma significação em termos da definição do que eram eles; mas aquilo que era essa significação em termos da definição do que eram eles; as instabilidades e contradições de suas vidas tornavam difícil dizer. Ainda assim, a mera atenção e o envolvimento em questões de personalidade aumentaram cada vez mais. Gradualmente, essa força perigosa, misteriosa, que era o seu, passou a definir as relações sociais. Tornou-se um próprio social.

 

 

A sociedade em que vivemos hoje está sobrecarregada de consequências dessa história.

 

Essa transformação camuflou duas áreas da vida social. Uma é o âmbito do poder, a outra é o âmbito das aglomerações em que vivemos.

 

 

 

 

 

 

 
 
 

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